quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

ÉVORA

UM POUCO DE HISTÓRIA:
A cidade que mais me marcou na minha primeira trip pela Europa, fiquei encantada! <3
A história da região remonta ao período da pré-história como pode ser comprovado ao observar o circuito megalítico da cidade. Durante o Império Romano, a cidade recebeu o nome de Ebora Liberalitas Julia (nome concedido por Julio César, então imperador romano). Durante o governo de Augusto foi construído o templo romano e algumas escavações na região comprovaram que ele era parcialmente cercado por espelhos d´água.
Após esse período, os visigodos tomaram posse da cidade e fizeram algumas alterações nas muralhas de defesa. Em seguida, vieram os mouros que aumentaram ainda mais a proteção com o acréscimo de portões fortificados.
Porém os anos mais importantes para a cidade foram durante os séculos XV e XVI quando os reis passaram a viver grande parte de seus dias por lá. E a cidade passou a ter grande influência em todo o país. Influência que começou a declinar em 1759 quando Marquês de Pombal expulsou a Companhia de Jesus do país.

ATRAÇÕES TURÍSTICAS:
- Praça de Giraldo: O ponto de localização da cidade, já que todos os caminhos conduzem a essa praça. A praça é em homenagem a Geraldo Geraldes, o sem pavor. Geraldo foi o responsável pela expulsão dos mouros da cidade tanto que ele aparece no brasão da cidade segurando uma espada e sobre um cavalo, a seus pés há cabeças de mouros. No centro da praça há uma fonte em estilo barroco sobre a qual há uma coroa e a fonte possui 8 bicas: cada uma delas é associada a uma rua principal da praça. (Não bebam essa água pois os pombos dominaram tudo). Ao redor da praça há muita coisa para ser feita: restaurantes, lojinhas, a Igreja de Santo Anão. Lugar ideal para sentar e dar uma descansada.

- Igreja de Santo Anão: Fica bem no centro da cidade, a ordem de construção dessa igreja foi dada por D. Henrique, que ordenou também a derrubada de outros monumentos que ficavam na praça de Giraldo para que não atrapalhassem a visão da igreja. É uma das igrejas mais importantes de Évora.
- Igreja de São Francisco: Ela possui estilo gótico-manuelino e foi construída entre 1480 e 1510. Ela conta com a cruz da ordem de Cristo e com o emblema dos reis fundadores. Segundo contam ela foi a primeira casa da Ordem Franciscana de Portugal e teria sido onde Gil Vicente foi sepultado. A Igreja conta com diversas salas, entre elas a Capela dos Ossos.

- Capela dos ossos: Não tenho outra palavra para defini-la a não ser IMPRESSIONANTE. Ela fica ao lado da Igreja de São Francisco. A capela foi construída no século XII por monges que queriam passar a ideia da transitoriedade da vida (que pode ser observado na frase da entrada). Ela foi erguida com ossos provenientes das sepulturas das igrejas e do cemitério da cidade, são milhares de ossos humanos. Isso ocorreu no contexto da Contrarreforma. Nessa capela ficam os túmulos dos três monges fundadores e do bispo D. Jacinto, morto por tropas napoleônicas na invasão de 1808.

Dentro da capela é possível ler alguns poemas, que reproduzi no trecho abaixo:
“As cabeiras descarnadas / são a minha companhia / Trago-as de noite e de dia / na memória retratadas / muitas foram respeitadas / no mundo, por seus talentos, / e outros vãos ornamentos, / que serviram a vaidade, / e talvez ... na Eternidade / sejam causa de seus tormentos.”


- Catedral: Edifício de estilo românico-gótico e que é gigantesco, uma construção monumental que se iniciou em 1186 e só ficou pronta em 1250. Ela é feita de granito. Com certeza uma das mais belas catedrais que já vi.

- Tempo Romano ou Templo de Diana: Marca da presença romana na cidade, porém só restaram as colunas para serem observadas. Alguns dizem que esse nome é associado a uma lenda e o templo não era dedicado realmente a essa deusa (Diana era a deusa da caça), mas sim ao imperador Augusto que era também venerado como um deus durante seu reinado. O templo teria sido destruído por povos germânicos que invadiram a cidade entre os séculos II e III e só restaram alguns vestígios que podem ser observados ainda hoje e os dão uma dimensão da grandiosidade dessa construção.


- Museu de Évora: fica localizado próximo ao templo de Diana e é aberto à visitação mediante o pagamento de uma pequena taxa (mas não me lembro o valor). O museu possui a exposição fixa e se der sorte, você ainda pode ver alguma exposição temporária.
- Cromeleque dos Almendres: Trata-se de um círculo de pedras da pré-história contando com 95 monólitos de pedra. Está muito bem conservado e é considerado um dos mais importantes da Europa.
- Palácio Dom Manuel: O palácio foi construído para funcionar como um paço real fora do castelo e abrigou diversos monarcas. Foi neste palácio que Vasco da Gama foi investido no comando da esquadra que iria para as Índias e foi lá também que Gil Vicente representou sete de seus autos (dedicados às rainhas D. Maria de Castela e D. Catarina da Áustria). O palácio foi destruído e hoje o que resta é apenas uma de suas partes: a Galeria das damas.

INFORMAÇÕES E CURIOSIDADES:
- Évora é considerada por muitos como a cidade mais bonita de Portugal. Comprovei e concordo com essa opinião.
- Évora foi declarada pela UNESCO (em 1986) como patrimônio da humanidade!
- A cidade é dividida em duas partes: dentro da muralha onde fica o centro histórico e a maioria dos pontos turísticos e a parte de fora que já é mais moderna.
- Fiquei no hotel Mar de Ar, e recomendo. Foi um dos hotéis que mais gostei em toda a viagem. Além disso, ele fica dentro da muralha, super bem localizado.
- Dentro da muralha, as ruas são todas estreitinhas e de pedra. A cidade lembra muito Ouro Preto (MG).
- Recomendo que comam a carne de porco tratado com bolotas, é uma delícia! (Bolota é o fruto da azinheira, árvore que existe em grande quantidade em Portugal).
- Évora é a capital da cortiça (produzida por árvores chamadas de sobreiros, quando retiram sua casca os troncos ficam todos vermelhos).

REFLEXÕES DE UMA MOCHILEIRA (IN)EXPERIENTE:
- Me faltam palavras para descrever essa cidade. O sentimento e as emoções que ela me despertaram são indescritíveis... só conhecendo para saber. Lembrando que é um passeio puramente histórico e cultural.
- Relato de viagem: precisava ligar para meus pais (todo dia eu ligava para eles em uma época em que whatsapp ainda não era utilizado). Para ligar eu tinha comprado um cartão de 10 euros, e usava o mesmo cartão todos os dias, mas precisava achar um telefone público. Até então não tinha encontrado problemas em achar o famoso orelhão em outras cidades, mas em Évora quase não achei esses telefones, alguns estavam com problemas. Por causa do fuso horário eu ligava para meus pais durante a noite, o que no Brasil seria final de tarde. Resultado: sai caminhando pelas ruelas de Évora durante a noite sozinha... como era só subir a rua do hotel até a praça central não tinha erro. E não teve mesmo, ao menos na ida. Para voltar, desci a rua errada, me perdi, passei na frente de barzinhos cheios de jovens na rua, rodei, andei sozinha, sem mapa, sem GPS, e por fim ache a muralha, fui seguindo-a até chegar ao hotel. Me senti muito bem, uma liberdade e uma paz sem igual.... estar em um país estranho, perdida, mas em momento algum senti medo... a cidade é super tranquila e mesmo se você se perder não há como ficar muito tempo perdido por lá, é só voltar para a praça, coisa que não fiz porque a vontade de explorar o lugar era maior (hehehe). Em alguns momentos, me senti vivendo no passado, foi demais!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

MÉRTOLA

UM POUCO DE HISTÓRIA:
É uma pequena vila na região do Alentejo. Sua importância sempre esteve relacionada à sua localização privilegiada (ligação entre Portugal e Espanha, além de ficar à margem direita do rio Guadiana, que possui águas navegáveis até desembocar no mar) que fez da cidade um importante entreposto comercial, dependendo do comércio fluvial.
Durante muitos anos a terra foi ocupada pelos muçulmanos que deixaram uma herança muito forte que pode ser observada principalmente na arquitetura. Durante o domínio muçulmano (no século XI) a vila foi considerada capital de um pequeno emirado islâmico independente: a Taifa de Mértola. O povoamento efetivo e definitivo dessa região ocorreu no século XIII, porém ainda hoje a vila não conta com muitos habitantes (na época em que visitei, 2012, não passava de 12.000 habitantes.
Como já citado, a vila teve sua importância devido à sua localização, porém ela foi “esquecida” pelos portugueses a partir da época dos descobrimentos. Assim, entre os séculos XIX e XX sua principal atividade econômica passou a ser outra: a mineração. Hoje, a vila é considerada uma vila-museu e atrai muitas pessoas à região.

ATRAÇÕES TURÍSTICAS:
- Castelo de Mértola: Sua construção data do século X, e controlava-se de lá a passagem pelo rio Guadiana. O castelo tem hoje uma importância histórica e cultural sendo considerado um Monumento Nacional. É possível andar sobre as muralhas do castelo (e observar o lindo rio Guadiana passando lá em baixo), visitar o calabouço e ainda se refrescar nas sombras de uma imensa oliveira que fica no interior do castelo. É o ponto alto da cidade!



- Igreja de Nossa Senhora da Anunciação: é a Igreja Matriz. No contexto das invasões muçulmanas foi construída uma mesquita no local em que hoje encontra-se essa igreja. Durante o século XIII (com a Reconquista) o local foi transformado em templo cristão, porém sua arquitetura é remanescente da cultura islâmica.


- Santuário de Nossa Senhora de Aracelis: Não cheguei a conhecer esse local, mas dizem que é uma pequena igreja que deve ser visitada.  
- Parque Natural do Vale do Guadiana: possui uma fauna muito variada e que chama a atenção dos visitantes. A paisagem é maravilhosa e vale conferir.
- Mina de São Domingos: A mina funcionou durante muito tempo como o grande forte econômico da vila, e hoje há vários passeios que o turista pode fazer para conhecê-la, ele pode optar pela: Rota Mina de São Domingos ou Rota do Minério (entre as minas de São Domingos e Pomarão). As reservas podem ser feitas antecipadamente pela internet ou por telefone. Também não cheguei a fazer o passeio por falta de tempo.

INFORMAÇÕES E CURIOSIDADES:

- Dentro do Castelo há um brasão de armas, tirei uma foto para tentar descobrir seu significado, porém não encontrei nada. Se alguém souber, é só falar...... heheheh

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

FARO

UM POUCO DE HISTÓRIA:
Centro cosmopolita, Faro é a capital do Algarve. Mas sua história começou muito antes disso.
Os primeiros registros nos levam a crer que durante o século VIII a.C. a região foi ocupada pelos fenícios, e servia como um entreposto comercial. O nome dado a cidade naquela época era Ossónoba. O nome foi mantido durante o período em que os romanos dominaram a região e posteriormente quando os visigodos também a conquistaram. Os domínio dos romanos teve inicio no século III a.C. quando cartagineses e romanos passaram a disputar alguns entrepostos e o domínio do mar Mediterrâneo.
Só no ano de 713 a cidade passou das mãos dos visigodos para as mãos dos mouros que ficaram cerca de 5 séculos na região deixando muitas influências. Em 1249 ocorreu então a Reconquista cristã (sob o comando de D. Afonso III), mas parte da população árabe continuou morando na cidade. Como a maioria das cidades portuguesas, Faro também foi destruída pelos terremotos de 1755 e durante todo o século XIX foram feitas inúmeras obras de restauro em Faro.

ATRAÇÕES TURÍSTICAS:
A cidade é hoje um centro comercial, porém vários pontos podem ser visitados na chamada Cidade Velha ou Vila Adentro.
- Arco de entrada a Vila Adentro e a estátua de São Tomás de Aquino: o arco nada mais é do que uma das antigas entradas para a vila de um castelo medieval. Lá é possível observar a estátua cidade, uma vez que este santo é um dos padroeiros da cidade.
- Sé (catedral): a construção é uma mistura de diversos estilos arquitetônicos devido a acontecimentos ao longo de sua história: inicialmente construída no local de uma igreja e de uma mesquita, posteriormente saqueada por ingleses e destruída pelo terremoto de 1755. É uma construção meio diferente e bastante interessante.
- Museu marítimo: fundado em 1931 e fica próximo a Doca.
- Jardim Manuel Bivar: trata-se de uma pequena praça, não vi nada diferente por lá, mas dizem que é lá que ocorrem as festas tradicionais e os shows durante o verão. Quem sabe você não dá sorte de passar por lá e ainda pegar uma festinha?
- Museu Municipal: retrata a história da cidade, principalmente sobre a era do domínio romano. 
- Castelo de Faro: hoje é uma fábrica de cerveja (hehehe), portanto contente-se em observar seu exterior. Foi construído acoplado a muralhas provavelmente no século XIII, e durante o século XVIII tornou-se quartel do Regimento de Artilharia de Algarve.
- Passeio pela Ria Formosa: considerada um Parque Natural e está entra as 7 maravilhas naturais de Portugal. Os barcos para o passeio saem do cais. 



INFORMAÇÕES E CURIOSIDADES:
- Não achei a cidade muito turística não. É mais um centro comercial sem muitos atrativos, mas caso esteja passando por lá não custa parar e dar uma conferida. É possível conhecer todos os pontos turísticos em um único dia. Eu mesma conheci em uma tarde apenas (mas faltou o passeio de barco).
- Não se esqueça de olhar para cima assim que chegar na Cidade Velha. Você irá se surpreender com a grande quantidade de ninhos enormes. É muito bonito, dica que vale a pena!
- A região também é conhecida pelos “Dom Rodrigos” que nada mais são que doces de amêndoas da região. É possível encontrar esses doces em qualquer pastelaria.
- Uma última curiosidade é que há na cidade uma rua conhecida como rua dos namorados, é toda florida e com um banco onde os casais param para a foto. Parei sozinha mesmo e registrei o local (heheh).



segunda-feira, 28 de novembro de 2016

ALBUFEIRA

UM POUCO DE HISTÓRIA:
A cidade localiza-se ao sul de Portugal, na região do Algarve. Seu nome inicial era Baltum (isso quando foi ocupada pelos romanos). Durante a época de ocupação romana muitas construções foram feitas, mas restam apenas resquícios. Posteriormente, os mouros invadiram a região e trocaram seu nome para “Al-Buhera” que quer dizer algo como pequeno lago. Muito do desenvolvimento da região remonta a esta época, inclusive as construções atuais possuem muitos traços da arquitetura moura. Os mouros estiveram presente na região por volta de cinco séculos, e durante o reinado de D. Afonso III (em 1249) os cristãos conseguiram expulsá-los definitivamente com a ajuda dos Cavaleiros da Ordem de Santiago.
Muitos desastres naturais aconteceram na região e afetaram a cidade, entre eles o um dos mais trágicos foi o terremoto de novembro de 1755 que acabou culminando em um maremoto cujas ondas invadiram a parte baixa da vila onde apenas 27 construções ficaram em pé. A reconstrução da cidade seguiu em passos lentos. No ano de 1833 a cidade sofreu com uma nova tragédia, um incêndio que gerou mais destruição.
Desde então a cidade passou a se reconstruir novamente, formando-se como uma vila de pescadores, e a atividade pesqueira foi a principal fonte de renda para seus moradores até a década de 1960 quando o turismo passou a ser o “carro-chefe” da economia local, e Albufeira passou a ser um dos principais destinos de férias de vários europeus, ganhando fama internacional.

ATRAÇÕES TURÍSTICAS:
- Torre do relógio: parte de um prédio utilizado como prisão até o século XIX. É o ponto mais alto da cidade.
- Igrejas: você pode conhecer as inúmeras igrejas da cidade.
- Museu municipal de arqueologia: onde é possível observar peças relacionadas com a história da cidade desde os tempos pré-históricos.
- Praias: as praias são o ponto forte da cidade, e na minha opinião, o que mais vale a pena conhecer.


- Rua d´Oura: localiza-se a 2km de Albufeira. É um local para se frequentar a noite, pois possui uma vida noturna muito badalada, cheia de bares e restaurantes. Lá você encontrará muitos turistas de todos os cantos do mundo.
- Praia dos pescadores: a dica é ir tanto de dia quanto a noite. Apesar de não ser tão badalada quando a rua D´Oura, é uma boa pedida para se passear a noite, lá você encontrará muitos bares e restaurantes também. Além de possuir um local para patinação. 


INFORMAÇÕES E CURIOSIDADES:
- Já foi considerado por sites especializados como o local com as mais belas praias do Algarve.
- Ficamos hospedados no Resort Santa Eulália. É um resort 5 estrelas. Se tiver a chance e grana, super recomendo! Ele possui uma saída direta para uma praia privada. A praia é muito bonita, com uma costa rochosa, mas é impossível entrar na água de tão gelada (e olha que era pleno verão e eu estava derretendo de calor).
- As casas branquinhas fazem por alguns momentos você pensar que está na Grécia.
- Acesse o site a seguir e confira imagens das praias: http://www.albufeira.com/praias/

domingo, 20 de novembro de 2016

Textos de minha autoria sobre o tema:


Como tudo começou

Já li por aí que a vontade de viajar pode estar em nossos genes e ser hereditária. Ok, pode ser que seja verdade, mas enquanto não for provado, vou trabalhar com a ideia que essa é uma característica que pode ser adquirida por algumas pessoas ao longo da vida. Mas quando despertei meu interesse por viagens?
Me lembro muito bem a primeira viagem que fiz sem meus pais ou algum parente próximo e os sentimento que ela me despertou. Foi aos 10 anos de idade quando eu estava na 4ª série. Naquela época minha escola organizada viagens de formatura para as 4ª e 8ª série e 3º colegial. O sonho de quase todos da escola era chegar até a 8ª série para ir para a Disney (isso em uma época em que o dólar quase equivalia ao real), mas eu ainda estava na 4ª série, a formatura chegando mas o que mais passava em nossa cabeça não era a festa e sim a viagem. O destino? Poços de Caldas, um lugar que por sinal eu já conhecia. O tempo? Apenas 3 dias, curtindo o fim de semana. Mas nada disso importava, nem o lugar e nem o tempo, eu queria mesmo era passear com meus amigos, afinal não era uma simples excursão de bete-e-volta, dormiríamos por lá... uall, que máximo.
E minhas expectativas não foram em vão. Para falar a verdade eu não me lembro muito bem tudo que fiz por lá. Lembro que ficamos no hotel fazenda Village Inn, curtíamos a piscina, o playground e as quadras.  Nada demais, mas achávamos o máximo! Para nossa sorte, bem em frente ao hotel havia um parque de diversões até que grandinho e durante a noite nossas professoras nos levaram até lá. Na volta passamos também numa fábrica de cristais e aprendemos como ela funcionava. Foi um fim de semana bem agradável, simples mas que pra uma criança de 10 anos fez toda a diferença.
Não sei como os outros reagiram, mas eu voltei dessa viagem diferente. Por mais que não lembre detalhes da viagem, me lembro o sentimento que ela me causou, a vontade de voltar pra lá. Por mais de dois meses fiquei na cabeça dos meus pais tentando convence-los a ir para lá nas férias que estavam chegando. Tudo que eu queria era mostrar para eles aquele local que na minha cabeça era incrível. Hoje, vejo que essa viagem foi o começo de tudo. Claro que pouca coisa mudou depois dela, pois até eu fazer minha segunda viagem do tipo demorou mais 4 anos (posteriormente faço um post sobre ela), mas então por que ela foi tão marcante?
- Foi nesse momento em que tive um sentimento de LIBERDADE, que é uma das coisas que mais me movem em minhas viagens: naquela época a liberdade de viajar sem os pais, hoje a liberdade infinita de sentir o mundo (ou parte dele) como parte de meu ser.
- Foi naquela viagem que percebi como uma viagem pode ser ENRIQUECEDORA, naquela época aprendi sobre como funcionava uma fábrica de cristal, hoje percebo que cada cidadezinha tem uma história e uma cultura infinita para ser descoberta e explorada (e nem que você volte para a mesma cidade 10 vezes vai conseguir aprender tudo que ela tem para oferecer).
- Foi naquela viagem que senti e ampliei o sentido da palavra AMIZADE e COMPANHEIRISMO: naquela época era divertido estar com todos os meus coleguinhas de sala compartilhando os melhores momentos da minha vida até aquele dia, hoje esse sentimento se expande para cada cantinho que vou, e mesmo quando viajo sozinha consigo perceber o quanto o mundo é bom, pois as pessoas que encontro no caminho na maioria das vezes se disponibilizam a ajudar, o que aumenta meu sentimento de esperança em um mundo melhor.
- Lá percebi também como uma viagem pode nos trazer novas amizades. Infelizmente não tenho nenhum contato das pessoas que conheci (em uma época em que poucos tinham acesso a internet era mais difícil manter o contato), peguei o telefone mas depois de um tempo nunca mais telefonei. Tá, não foram amizades duradouras, mas foram amizades que naquele momento foram importantes e que marcaram a minha vida, pois foi com esses “novos amigos” (incluo aqui os guias do hotel) que aproveitamos a viagem. Hoje, uma das coisas que mais valorizo é a criação de amizades com pessoas em diferentes cantos do Brasil ou do mundo, adoro conhecer pessoas novas e aprender mais sobre suas culturas, e sim, em poucos dias algumas pessoas tornam-se irmãs afinal é com elas que você está convivendo, e manter contato hoje é muito mais fácil.

Pode ser que a vontade de viajar seja mesmo hereditária, uma vez que minha avó também gostava muito de dar seus “rolezinhos”, não sei se já nasci com essa vontade e ela apenas foi despertada aos meus 10 anos; não sei se essa primeira viagem criou em mim esse sentimento. A única coisa que sei realmente é como essa viagem me marcou.... hoje tenho 28 anos e apesar de não lembrar perfeitamente da viagem, me lembro muito bem dos sentimentos que tive, sentimentos que voltam a cada viagem que faço e a cada lugar que conheço.


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

CEBREIRO

UM POUCO DE HISTÓRIA:
É uma pequena aldeia galega feita de pedra de origem pré-histórica. Alguns anos após o descobrimento da tumba do apóstolo Santiago foi fundado neste local uma hospedaria para dar abrigo aos peregrinos. Antes de sua fundação, em 863, era provavelmente um povoado de pessoas que viviam da pecuária. Em 1486, os reis católicos (Fernando e Isabel) foram até a cidade de Santiago de Compostela e na volta passaram por Cebreiro, onde ouviram o relato de um milagre que dizem ter acontecido ali. Conta a lenda que por volta de 1300 um homem que vivia em um povoado distante de Cebreiro, nunca deixava de ir até a região para rezar na Igreja de lá, porém um dia enfrentou uma grande tempestade e o monge que celebrava a missa somente para ele, perguntou por que ele havia ido lá apenas para ver um pedaço de pão e um pouco de vinho. Foi quando que o milagre se realizou e a hóstia e o vinho se transformaram em carne e sangue. Tanto o camponês quanto o monge em questão estão enterrados nessa mesma capela conhecida como Capela dos Milagres. Os reis católicos doaram para a aldeia uma redoma de cristal dentro da qual se conserva como relíquia o cálice no qual o dito milagre aconteceu.

ATRAÇÕES TURÍSTICAS:
- Não há muito o que fazer e visitar na aldeia, uma vez que se trata de um ponto de parada para os peregrinos, a aldeia possui albergues e restaurantes.
- Igreja de Cebreiro: local de reza, frequentado por muitos peregrinos e relacionados à lenda acima descrita.


INFORMAÇÕES E CURIOSIDADES:
- Aproveite que a aldeia é cheia de peregrinos para conversar com eles e conhecer suas histórias. Eu, quando estive por lá, conversei com 3 franceses que estavam a caminho de Santiago, fazia 31 dias que estavam na estrada (26 caminhando e 5 descansando). Além da oportunidade de treinar o francês. São histórias incríveis que você pode ouvir.

- De todos os lugares que conheci, foi em Cebreiro que me senti em uma vila medieval. É tudo feito com uma simplicidade e tudo muito tranquilo. Uma palavra pra definir? I-N-C-R-Í-V-E-L