sexta-feira, 19 de maio de 2017

SÍNDROME DO ETERNO VIAJANTE

O original do texto abaixo foi feito em espanhol, e é possível ouvi-lo no link que segue abaixo. A tradução foi feita por mim. E para saber um pouco mais sobre os autores do texto procure o site "Algo que recordar" .. a história desse casal é incrível :D

https://www.youtube.com/watch?v=7dKGcg_jBhw



“Hoje não é um dia qualquer, estou partindo novamente. Tenho esperado muitos meses para ir a outra de minhas longas viagens. Todos os aromas, cores e sabores que eram tão frescos em minha mente, começavam a ser recordações difusas que se misturavam com umas com as outras formando uma chuva de lugares que você quer voltar de novo e de novo...
Preciso voltar a perder a noção do tempo, e que cada dia da semana seja chamado o mesmo... não saber em que mês estou, é incrível, mas acontece.
Preciso que os domingos não sejam tristes, ou as quartas-feiras o dia do espectador. Quero que a única coisa importante seja pensar o que fazer em cada momento: onde dormir a cada dia, o que comer, como chegar à cidade seguinte, o que me espera ao descer do próximo ônibus, do próximo barco, do próximo trem...
Não gosto de voar, mas é o preço que tenho que pagar para que, a partir de hoje, cada dia não seja um dia qualquer. O melhor de estar longe de tudo que conheço é saber que a cada passo que dou, algo totalmente novo me espera. Não ter um caminho certo em que eu sei de cor cada semáforo, cada loja, cada esquina... faz-me seguro em tudo ao meu redor. Que eu fique alerta para não perder nada. É então que tenho a sensação de estar em um momento único e que tudo o mais não importa.
Reconheço que estou presa a essa forma de vida. Estou aqui, neste lugar estranho ao meu mundo, agora. E talvez, não volte nunca mais. Tenho que aproveitar cada momento, guardá-lo na memória, para que daqui a muitos anos, eu recupere algum segundo de tudo isso. Algum segundo que tenha sobrevivido ao passar do tempo, e que me recorde daqui por um momento. Não me lembro o que aconteceu em um dia normal da escola há três semanas, mas quero recordar que estive aqui...
Sempre acontece o mesmo, é difícil eu me adaptar às mudanças. É uma pequena descompressão, ou melhor, uma pequena compressão de costumes diferentes que me pegam desprevenida no começo, os mesmos em que pouco tempo me acostumo e faço-os meus. Nunca me deixa de surpreender a capacidade de adaptação que tem o ser humano.
Reconheço que não gosto de encontrar espanhóis pelo mundo. Quando isso ocorre, procuro não falar e passar desapercebida... em parte, me sinto mal por fazer isso, mas a verdade é que odeio as exaltações nacionalistas a quilômetros do seu país. Além disso, é uma situação que torna tudo menos autêntico .... menos especial. E sejamos sinceros, quando alguém está fora de casa, mochila nas costas, buscando experiências novas e querendo viver uma aventura, não quer é conversar sobre “jamón” e “tortilla de batata” com desconhecidos, ao menos, não em seu idioma.
Não sei, parece que pelo fato de sermos espanhóis somos obrigados a manter uma conversa que sempre levará irremediavelmente ao lugar de que viemos. É algo que nunca entendi. Se nos encontrássemos no metrô de Madrid, não conversaríamos sobre nada, por que aqui sim? Que curiosa é a curiosidade. Sinto que as pessoas me olham e me olham porque eu paro para ver coisas que a elas não chamam atenção, pare elas, tudo isso é normal, é seu dia-a-dia. Para mim, não. Para mim um cachorro dentro de uma gaiola com um pote de arroz não é normal. Isso merece dois ou três minutos do meu tempo e uma ou outra foto. Por isso, paro para ver qualquer coisa que aqui seja normal e me sinto observada, o que acho engraçado. Seguramente, alguma vez, em Madrid parei para ver alguém porque estava batendo uma foto de um lugar que vendia churros.
Que curiosa é a curiosidade, sobretudo quando não pretende ser. “Quando em Roma, faça como os romanos”. Provavelmente uma das frases feitas que mais me gera amor e ódio. Ódio porque soa péssimo, e porque quase todo mundo enche a boca para pronunciá-la como se realmente se deixassem levar por ela. Trata-se de uma espécie de violação dramática socialmente aceita. E eu gosto porque é uma verdade em si mesma, e provavelmente, o melhor conselho na hora de viajar. Um conselho que nem sempre sai bem, que às vezes não é muito cômodo, mas que normalmente faz com que você se integre muito mais e que entenda o porquê das coisas. Sopa pela manhã aos 40 graus ao invés de uma torrada? Deve ter algum motivo para isso.
A noite.... a noite me fisga onde quer que eu esteja, por um lado é muito parecida em todas as partes e de alguma forma faz com que uma um lugar ao outro. Por outro lado, é como uma máquina do tempo, ou melhor dizendo, uma máquina do espaço. Um tanto perigosa; me leva e traz sem avisar, me fazendo sonhar com outros lugares em que também quero estar. Liberdade e convicção sob a luz de neon.
Quando eu viajo tento não repetir destinos. Ainda me falta muito para ver e me faltará tempo para ir a todos os lugares que quero. Bem, e dinheiro, claro. Por outro lado, há lugares que me atingiram tão profundo que sempre os tenho presentes. Essa sensação depende muito do que aconteceu da primeira vez que estive ali, como as pessoas me trataram ou as experiências que tive. Gosto de pensar que sempre poderei voltar e que tudo continuará igual ao que foi. Mas isso não acontece. Cada viagem é diferente. Muda você, mudam as pessoas, mudam as experiências. Os lugares que vou guardando em minha cabeça são as projeções dessas experiências, todos são boas lembranças ainda que no momento vivido não tenham sido tão bons.
Ainda que eu esteja um pouco mais ligada à Madrid, porque ali está minha família e meus amigos, meu lar é onde eu estou a cada momento. A necessidade de querer estar em tantos lugares faz com que, para mim, não haja um lugar concreto para chamar de casa. Essas quatro paredes em que entre elas se acumulam coisas, que te prendem a uma cidade. É que não preciso viver durante muito tempo em um mesmo lugar para me sentir parte dele ou, pode ser que eu não goste de fazer parte de alguma coisa por muito tempo, não sei.... vivo em um estado de constante contradição. Quando estou em Madrid, faço todo o possível para me desconectar de tudo que me rodeia, do trabalho, das pessoas e de tudo o que se passa. E agora que estou aqui, gosto de estar conectada, saber o que acontece lá e contar o que faço aqui. É curioso, mas falo mais com meus amigos estando a 10 mil quilômetros de distância do que a só duas quadras.
Hoje, me levantei com um único objetivo: ver como o sol se põe. Passei o dia me perguntando de onde poderia ver melhor o entardecer. Estava tão empolgada que cheguei duas horas antes. Mas aqui estou. Esperando sem desesperar-me, me deixando levar, sem pressa, porque realmente hoje não tenho nada melhor para fazer. E amanhã, penso em repeti-lo.
Ir de cidade em cidade, de vila em vila, me mover de um lugar a outro como as pessoas daqui, que usam qualquer meio de transporte faz com que eu me sinta menos passageira. Quando eu era pequena, odiava qualquer trajeto de ônibus de mais de 50 quilômetros de distância, agora faço viagens de 14 horas em ônibus sem banheiro, que param de repente em um bar de estrada fedido e não param mais pelas 5 horas seguintes, com assentos que não param de mexer ou que não reclinam o suficiente.
Sei que como plano, soa fatal, mas eu gosto. Gosto de viver isso desde dentro. Quando você sai um pouco do habitual, das rotas e caminhos marcados, quando você se perde é quando acontecem as coisas, é quando você conhece um país de verdade. É muito mais cômodo ir de uma cidade a outra de avião, mas você não se perde. Você perde tudo o que acontece ao seu redor.
É incrível como te marca a forma de ver a vida segundo o lugar onde você nasceu. Ainda que generalizar seja injusto e as comparações horríveis, mas inevitáveis, dependendo do país onde você está, vê as pessoas mais ou menos cinzas, mais ou menos comunicativas, mais ou menos abertas e assim, à sua maneira, conseguem o ponto de felicidade que precisam. Conseguem com o muito ou pouco que têm, com o muito ou pouco que conhecem. Creio que a chave é que, segundo meu ponto de vista, me parecem mais felizes, agradáveis ou atentos que eu. Essa é a razão: o que alguém conhece.
Creio que quanto mais viajo, mais valorizo outras formas de ver as coisas e mais objetiva sou em como devo entender a vida. Eu gosto de Madrid, é uma cidade da qual acabo sentindo saudade. Estou presa em um permanente estado de insatisfação, que por outro lado me liberta constantemente.
Para muitos, estou louca, sou instável, irresponsável e imprudente. Eles não podem levar essa vida, não a entendem ou não a querem. Para outros sou como uma aventureira, porque eles também sentiram alguma vez a necessidade de romper com suas vidas para viverem outras coisas. Para mim, ficar quieta em um mesmo lugar, vendo como passa o tempo é renunciar a tudo que não conheço.
Há chegado o tempo de parar? Quero formar uma família. Bem, isso creio, mas não sei quando nem onde. O que sei é que seguiria viajando, mas com eles. Lhes mostraria estes lugares que sempre quero voltar e veríamos outros novos pontos juntos. Encontrei casais com seus filhos dando uma volta ao mundo: duas mochilas grandes, duas pequenas e muita paixão. Assim me vejo daqui a 20 anos. Sonhar acordado é uma carga muito difícil de carregar. Creio que de alguma maneira sou prisioneira da minha ânsia de liberdade constante e isso, não sei se é bom ou ruim.
Conheço pessoas que são felizes trabalhando no mesmo lugar depois de 10 anos, com sua hipoteca, com suas férias em Menorca um verão após o outro. Não precisam de mais do que isso. De algum modo, sinto certa inveja. Eles são felizes com o que têm e cada vez isso é mais claro. E eu, bem, já não sou tanto. Às vezes, penso que não posso ser feliz em um só lugar, terei que ser nessa cidade que não existe. Nesta cidade construída na minha imaginação por vários pedaços dos diferentes lugares em que estive e daqueles em que ainda estarei. Eu sei, estou confusa.”

“A síndrome do eterno viajante é a sensação de não estar cômodo em nenhum lugar porque você precisa estar em outros. É a ansiedade que você sente ao pensar que nunca será feliz em um só lugar. É uma doença... que te salva a vida.”

quinta-feira, 11 de maio de 2017

BRAGA

UM POUCO DE HISTÓRIA:
Cidade que se localiza ao norte de Portugal e é a capital do distrito do Minho. Até onde se sabe a povoação dessa cidade teve início com os brácaros (povo pré-histórico). Porém a fundação de uma cidade na região ocorreu pelas mãos dos romanos que ao fundarem a cidade a chamaram de Bracara Augusta. Era uma cidade tão importante para os romanos que ela foi considerada a capital da província romana da Galécia. Depois dos romanos a cidade foi tomada pelos suevos (em 419), visigodos (em 456) e posteriormente pelos árabes (em 715). Tantas invasões consecutivas acabaram deixando a cidade destruída. Depois de vários anos, a região foi reconquistada pelo rei de Leão e doada como dote de casamento de sua filha com D. Henrique de Borgonha, conde de Portugal. Em 1112 a cidade foi doada novamente, desta vez aos arcebispos. Até então a principal característica da cidade é que ela se concentrava no interior de suas muralhas. Porém, no século XVI, D. Diogo de Sousa (arcebispo da cidade) deu início à expansão das terras para além das muralhas contribuindo também para a urbanização da cidade.
Durante o século XIX, com as invasões francesas realizadas durante o período napoleônico, Braga sofreu vários ataques e suas riquezas foram saqueadas. Além disso, neste mesmo século as lutas liberais ocorridas em Portugal contribuíram para a destruição da cidade. Após as lutas liberais e as invasões, iniciou-se um período de reconstrução e modernização de Braga, foi aí que a cidade perdeu suas características de cidade medieval.

ATRAÇÕES TURÍSTICAS:
- Santuário do Bom Jesus: santuário católico localizado a 116 metros. O santuário é composto por uma igreja, uma escadaria de 518 degraus onde se desenvolve a via sacra do Bom Jesus e uma área de mata (o parque que envolve a região). Muita gente vai até esse parque para fazer exercícios como caminhada e corrida. Para subir e descer você pode optar por ir a pé ou ainda por utilizar o funicular (um carrinho de trilhos movido a agua); trata-se de um dos 7 funiculares que existe no mundo, sendo o mais antigo deles. Apesar de parecer precário, nunca foi registrado nenhum acidente, leva-se cerca de 5 minutos para percorrer o caminho e o valor (em 2012) era de 1,50 euros.






- Palácio dos Biscainhos: palácio construído no século XVII, possui muitos e amplos salões luxuosos que mostram a vida que seus donos levavam. Atualmente é aberto para a visitação de muitos turistas que passam pela região.
-Mosteiro de Tibães: foi um mosteiro construído e utilizado pela ordem Beneditina, tornou-se casa mãe da Ordem de Portugal e Brasil. O mosteiro é formado por um conjunto de diversas construções como o museu, a Igreja de TIbães e o Cruzeiro de Tibães. Atualmente pertence ao governo português, e possui diversas funções: educativa, religiosa e cultural e é também considerado um patrimônio nacional.

INFORMAÇÕES E CURIOSIDADES:
- É uma das mais antigas cidades portuguesas. Atualmente é considerada a terceira cidade mais importante do país.
- Conhecida como muitos como a capital do Minho. E local conhecido por possuir a Universidade do Minho, uma das mais famosas de Portugal.

terça-feira, 25 de abril de 2017

FÁTIMA

UM POUCO DE HISTÓRIA:
Cidade portuguesa marcada fortemente pelo turismo religioso, até o século XX era praticamente desconhecida. A cidade tem seu nome de origem moura (árabe) correspondendo ao nome de uma das filhas de Maomé. Segundo a lenda, uma princesa moura de nome Fátima foi capturada pelos cristãos durante as guerras de Reconquista e se converteu ao cristianismo após se casar com Dom Gonçalo. Após a morte da esposa, ele ordenou a construção de uma igreja para sepultar os ossos dela.
Fátima foi fundada como freguesia em 1568, mas ficou famosa apenas em 1917 quando foram relatadas as aparições da Virgem de Fátima aos 3 pastorzinhos na Cova da Iria (do dia 13 de maio ao dia 13 de outubro). Segundo a história, ela teria pedido aos três (Lúcia, Jacinta e Francisco) para que construíssem uma capela naquele lugar de sua aparição. Desde então a cidade é atração de peregrinos de todo o mundo, ganhando importância econômica e melhoria na qualidade de vida principalmente depois da construção do Santuário. Toda essa importância que Fátima ganhou fez com que ela fosse elevada à categoria de cidade em 1997.
Apesar de tudo isso ainda é possível observar na cidade reflexos de um passado rural principalmente na arquitetura local.

ATRAÇÕES TURÍSTICAS:
Os principais pontos a se visitar ficam localizam-se no Santuário de Fátima:
- Procissão das velas: Ocorre todos os dias por volta das 21:30, é linda de ver. Para quem quiser participar, o percurso vai da Capelinha das Aparições (onde é recitado o Rosário e onde as velas são abençoadas) até o Santuário. O caminho da procissão é feito com a imagem de Fátima conduzindo o percurso. Quando fui estava chovendo, e mesmo assim a procissão aconteceu e acompanhei de guarda-chuva. Vale muito a pena, além de maravilhosa, é emocionante! (Há vários vídeos no youtube que mostram a procissão).


- Assistir a uma missa: Para quem vai à Fátima considero essencial assistir a uma missa, elas são realizadas em diversos horários.

- Capelinha das aparições: Onde se encontra o pedestal com a imagem da Santa, marcando o local exato onde ficava a azinheira sob a qual Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos em 1917. Sua construção foi realizada em 1919 e a primeira missa lá realizada ocorreu em 1921. Há missas realizadas lá diariamente. A imagem ao centro mede 1,10 metros e pesa 19 quilos. Este local é considerado por muitos como o coração do Santuário.

Azinheira grande: Localizada ao lado da capelinha das aparições. Era sob essa árvore que as crianças se abrigavam quando tiveram a visão de Fátima.


- Recinto de oração: Em seu centro fica um monumento dedicado ao Sagrado Coração de Jesus (uma estátua em bronze). É um local aberto com aproximadamente 265 metros, localizado no centro do Santuário (ao seu redor estão a maioria dos outros locais de visitação). Possui um “caminho” lajeado que serve como via penitencial para muitas pessoas. É super comum ver pessoas andando de joelhos e pagando promessas ali.





- Basílica Nossa Senhora do Rosário: Lá também há missas diariamente. É uma das maiores construções do Santuário (com 70 metros de altura e 37 metros de largura) e teve sua construção iniciada em 1928. Há 14 altares laterais (cada um representando um mistério do Rosário) e em seu interior estão os restos mortais dos pastorinhos. Com seu estilo neo-barroco, ela é maravilhosa por fora e por dentro.


- Pedaço do muro de Berlim: foi doado em 1994 ao Santuário como símbolo de paz. O doador foi um emigrante português que vivia na Alemanha. O bloco pesa 2600 quilos.


- Basílica da Santíssima Trindade: foi inaugurada no ano de 2007 pois a outra Basílica já não era suficiente para abrigar todos os peregrinos que desejavam assistir a uma missa. Ela possui um formato circular e uma arquitetura mais moderna, e localiza-se do lado oposto à Basílica do Rosário.


- Colunata: obra que circunda o Recinto de Orações, ligando a Basílica do Rosário às outras construções. Em seu topo podem ser observadas 17 estátuas em mármore de figuras importantes para a Igreja.
- Castelo de Ourém: fica próximo à cidade de Fátima, na cidade de Ourém. Ele fica no alto de uma ladeira, portanto é possível observá-lo de longe. Esse castelo foi conquistado dos mouros por D. Afonso Henriques no ano de 1136. Desde 2004, devido a riscos que representa, o castelo não pode ser visitado, porém é conservado como importante marco do burgo medieval na região (marcando seu valor histórico).

INFORMAÇÕES E CURIOSIDADES:
- Fátima é conhecida por ser uma cidade religiosa, atraindo turistas católicos de todo o mundo. Atualmente a cidade recebe mais de 4 milhões de turistas todos os anos, movimentando a economia local.
- Andar pela cidade é muito simples e fácil.


REFLEXÕES DE UMA MOCHILEIRA INEXPERIENTE:

A cidade tem um clima diferente de todas as outras que conheci. Lá vivi momentos únicos de paz e reflexão. Foi o momento de agradecer pela viagem, pela vida e de fazer alguns pedidos (principalmente pela saúde de meus familiares). Quando visitei a cidade ainda não conhecia o Vaticano nem Santiago de Compostela, outras duas cidades religiosas, por isso me impressionei muito. Na verdade, a cidade me lembrou um pouco de Aparecida do Norte (SP), mas numa proporção bem maior. Hoje, posso comparar essas três cidades europeias que citei: todas são maravilhosas e possuem um clima religioso que contamina e emociona qualquer pessoa que tenha fé, porém Fátima me chamou atenção pela simplicidade enquanto nas outras duas percebi uma certa ostentação de riqueza. Achei impressionante presenciar e ver com meus próprios olhos um local tão importante para minha religião. Saí da cidade renovada, com um sentimento único! =D 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

TOMAR

UM POUCO DE HISTÓRIA:
A história dessa cidade está muito atrelada à Ordem dos Templários: criada no ano de 1119 para combater os infiéis e reconhecida pelo papa em 1128. Formada por quatro classes, seus membros eram considerados soldados cujo objetivo era defender a fé cristã e os lugares sagrados; eles deviam fazer votos de pobreza, castidade, obediência e lealdade a Deus. A Ordem admitia a participação de mulheres, porém elas não eram autorizadas ao combate. Em Portugal, os cavaleiros templários tiveram grande papel, principalmente na luta de Reconquista contra os mouros e é aí que começo a falar sobre a cidade de Tomar.
Com a expulsão dos mouros, essa região foi doada como um feudo à Ordem dos Templários. Em 1160 foi ordenada a construção de um Castelo/Convento (que é o principal ponto turístico da cidade) para abrigar os soldados templários. Após 30 anos a cidade foi cercada pelos mouros, porém os templários conseguiram defendê-la.
Durante o século XIV o rei Dom Dinis já sabendo que o papa queria acabar com a Ordem dos Templários conseguiu convencer o Vaticano a criar uma nova ordem religiosa, chamada de Ordem de Cristo para a qual foram transferidos todos os bens dos templários. Essa ordem religiosa era tão influente que a cruz da Ordem de Cristo era pintada em todas as embarcações que partiam de Portugal até 1514.
No século seguinte (XV) os judeus foram expulsos da Espanha e muitos se refugiaram em Tomar onde passaram a viver livremente e onde exerceram grande influência, principalmente sobre as atividades comerciais. Porém poucos anos depois, com a instalação do Tribunal da Inquisição na cidade, os judeus passaram a ser perseguidos e muitos fugiram da cidade. E a partir disso, a cidade foi perdendo um pouco de seu poder econômico.
Passados muitos anos, já no século XVIII, a cidade volta a ganhar força econômica devido às indústrias que se instalaram por lá, e eram indústrias dos mais variados setores. No século seguinte todas as ordens religiosas de Portugal foram extintas e assim o poder da Ordem de Cristo e sua influência na cidade teve fim.

ATRAÇÕES TURÍSTICAS:
- Castelo / Convento de Cristo: Principal ponto turístico da cidade e parada OBRIGATÓRIA. Antigamente era habitado por cavaleiros templários. Foi fundado em 1160, e hoje é patrimônio da UNESCO. Sua arquitetura mistura diversos estilos. Ao entrar, passa-se pelo claustro e pela charola construída no século XII, sendo a parte mais antiga e que era usada como oratório dos templários. Este local reflete a riqueza da Ordem de Cristo (novo nome dos templários), pois em 1356 passou a ser sua sede. Não deixe de ver a famosa janela manuelina, o maior exemplo de arquitetura desse tipo que ilustra um naturalismo exótico e o uso de detalhes marítimos. É possível conhecer os dormitórios com suas portas pequenas, o refeitório com os bancos um de frente para o outro para não se darem as costas e a cozinha. Em frente ao castelo sempre tem algumas mulheres que ficam vendendo frutas típicas.








- Sinagoga: Considerada monumento nacional, ela foi construída entre os anos de 1430 e 1460. Trata-se da única sinagoga daquela época integralmente conservada em Portugal. Possui uma arquitetura simples mas que ao mesmo tempo demonstra a riqueza e prosperidade dos povos judeus que moravam na região.
- Pegões Aqueduto: Um dos principais aquedutos de Portugal foi construído entre os séculos XVI e XVII para levar água ao Convento de Cristo. Suas obras foram ordenadas pelo rei Filipe I. Já desativado, é possível percorrê-lo a pé por toda a sua parte superior. É considerado monumento nacional desde 1910.

quinta-feira, 30 de março de 2017

BERLIM

UM POUCO DE HISTÓRIA:
A região foi habitada por tribos eslavas desde séculos antes de Cristo, e posteriormente por saxões. Porém, a cidade em si foi documentada pela primeira vez apenas no século XIII. No século seguinte, a cidade foi escolhida como sede do eleitorado de Brandemburgo, cresceu de forma espantosa e foi fortificada.
Muitos séculos se passaram até a cidade ser conquistada pela Prússia no século XVIII, quando a cidade começou a tornar-se um centro cultural (característica mantida até os dias de hoje... essa cidade respira e inspira cultura).
Já no século XIX, Napoleão Bonaparte invadiu a cidade e levou a quadriga (que fica em cima do Portal de Brandemburgo) para Paris, porém com sua posterior derrota a quadriga voltou para seu local de origem.
Alguns anos depois, Otto von Bismark foi nomeado chanceler e, em 1871, proclamou o início do Império alemão com a unificação da Alemanha (tendo Berlim como capital). Essa nova situação fez a cidade de Berlim crescer ainda mais em importância.
Durante o século XX, tornou-se capital do nazismo (e Hitler tinha planos para a expandir ainda mais a cidade). Foi durante o governo de Hitler que Berlim passou por anos sombrios, uma vez que a guerra trouxe muitas destruições. Com o fim da guerra, a cidade foi dividia em quatro áreas (cada uma sob o controle de um país aliado) e ao longo dos anos (durante a conhecida Guerra Fria) a divisão passou a ser demarcada com a construção de um muro pela Alemanha Oriental: o famoso Muro de Berlim. Sua construção, no ano de 1961, dividiu a cidade em Berlim Oriental e Berlim Ocidental, isolando uma parte da outra. Essa divisão durou até 1990 com a unificação das duas Alemanhas.
Até hoje, a cidade continua crescendo e ganhando cada vez mais destaque e importância, não apenas em nível regional, mas mundial. Hoje, Berlim é conhecida como centro de difusão de cultura, política e informação.

ATRAÇÕES TURÍSTICAS:
As atrações turísticas são inúmeras, você pode fazer tanta coisa e conhecer tantos lugares que fica difícil escolher o que fazer. Tentarei listar alguns que são considerados imperdíveis. Mas lembre-se, se nada interessar, você ainda tem muitas outras opções.

- Muro de Berlim /  East Side Galery: foi um longo muro de cerca de 150km, construído em 1961 e considerado um dos maiores símbolos de intolerância do mundo, pois dividia os lados ocidental e oriental de Berlim durante os anos da Guerra Fria. O muro foi mantido até 1989, ano de sua queda. Porém, uma parte do muro ainda está em pé, formando a maior galeria a céu aberto do mundo sendo 2km de muro ainda erguido onde artistas de todo o mundo fizeram grafites e onde pessoas podem assinar seu nome (aqui fica a dica: não esqueça de levar uma caneta). A galeria localiza-se no centro de Berlim e fica do antigo lado leste da cidade, conta com 105 pinturas.



- Arena Mercedes-Benz: ela fica bem em frente ao muro de Berlim, é muito fácil achá-la. Trata-se de uma arena multiuso com capacidade para 17.000 pessoas. É considerada a casa de uma equipe de basquete da cidade e também de um clube de hóquei no gelo. Nos dias em que estive lá, rolou um show do Mark Knopfler que meu colega foi assistir. Mas eu não cheguei a entrar na arena, apenas a vi por fora. 


- Portão de Brandemburgo: Um dos principais pontos turísticos da cidade. É uma antiga porta da cidade, que foi reconstruída entre 1788 e 1791 sob ordens do rei Frederico Guilherme II da Prússia. Esse portão propiciava ao rei acesso direto do palácio real até seu jardim. Ele já serviu como passarela de desfile para tropas de Napoleão Bonaparte e para tropas nazistas. Ao longo da Segunda Guerra Mundial, o portão foi muito danificado. E por isso, entre 2000 e 2002, ele foi totalmente restaurado. Hoje, é visto como um símbolo da unificação e prosperidade alemã, e é um local de comemorações e desfiles para os alemães, tendo sido lá a comemoração da conquista da Copa do Mundo de futebol de 2014 (no Brasil), inclusive quando estava por lá, fazia exatamente um ano da vitória de 7x1 e fui zoada por eles (hehee, na brincadeira). Em cima do portão há uma imagem de Irene (desusa da paz). Para chegar até o local é muito simples, basta pegar o metrô e descer na Pariser Platz, a praça onde ele se localiza. A partir dali, é possível ir ao parlamento e ao memorial às vítimas do holocausto.


- Reichstag: prédio do parlamento. Está entre os pontos turísticos mais visitados. Esse prédio já foi sede do governo durante as duas guerras e é muito bonito. Ele possui estilo neorrenascentista e foi cena de importantes acontecimentos na história da Alemanha. Foi ainda destruído por um incêndio e pela guerra, o que o levou a ser restaurado entre 19661 e 1971. Em frente a prédio há um gramado onde as pessoas ficam sentados aproveitando o dia.  Chegar lá também é bem fácil pois fica próximo ao Portão de Brandemburgo, é possível seguir a pé, apenas seguindo as placas. Há visitas guiadas e independentes até a cúpula e ao terraço, porém elas devem ser agendadas antecipadamente (tanto no local como pela internet).  



- Memorial de vítimas do holocausto: Construído em homenagem aos seis milhões de judeus mortos durante a Segunda Guerra Mundial, são blocos formando um labirinto de lápides gigantes sem nomes. Há ainda uma sala subterrânea que expõe a perseguição sofrida por esse povo. Fica a uma quadra do portão de Brandemburgo.


- Ilha dos museus: essa ilha fica no rio Spree (centro da cidade) e é considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO (desde 1999). A ilha possui um complexo com 5 museus: o Museu Pergamon (sendo o mais novo de todos) possui uma riquíssima exposição de peças da antiguidade e da pré-história; o Museu Antigo possui também coleções de antiguidades, entretanto ele foi construído inicialmente para guardar obras de arte da família real; o Museu Novo reaberto em 2009 com exposições sobre e história da Grécia, Egito e Roma; o Museu Bode que abriga principalmente objetos relativos à história bizantina e a Galeria Nacional Antiga onde são expostas grandes obras de arte de diferentes estilos. Há opções de comprar os bilhetes em cada museu ou ainda um pacote que dá acesso a todos os museus da ilha em único dia, outra opção é comprar um pacote que permite que você entre em mais de 60 museus de Berlim, válido para 3 dias (se o objetivo da viagem é conhecer museus, vale a pena, pois sai mais em conta).

- Checkpoint Charlie: trata-se de um posto militar entre os lados ocidental e oriental. Há inclusive uma reprodução da cabine original e um próximo a ele é possível visitar  Checkpoint Charlie Museu.

- Torre de TV: é um dos pontos mais visitados da cidade. Trata-se da construção mais alta da Alemanha com 368 metros, e erguida para “lembrar” o satélite soviético Sputnik (a mesma foi construída pelo governo soviético). Os turistas podem subir até uma plataforma panorâmica, onde é possível frequentar um restaurante. A torre localiza-se na Alexanderplatz, uma grande e famosa praça na cidade de Berlim, mesmo que não queira subir na torre, compensa dar uma passadinha nesta praça.

- Catedral de Berlim: É uma catedral luterana (como muitas construídas na Alemanha). Sua construção durou cerca de 10 anos. Ela localiza-se na ilha dos museus, mas infelizmente não pude conhece-la, imagino que seja linda! Sua grandiosidade externa já impressiona, imagino o seu interior.......

- Estádio Olímpico: Com capacidade para 74.000 pessoas, foi palco da final da Copa do Mundo de 2006. Ele é aberto à visitação.

- Castelo Charlottenburg: É o antigo palácio de verão da família real prussiana. O palácio possui um lindíssimo jardim. Apesar de ficar relativamente longe do centro da cidade, é bem fácil chegar lá utilizando o transporte público. E a entrada aos jardins é gratuita enquanto a visita ao interior do palácio deve ser comprada.

- Museu judaico: esse museu conta a história milenar da cultura judaica e foi fechado pelo governo nazista, tendo sido reaberto em 2001 já em um novo local, que conta com dois prédios. Não conheci, mas dizem que o local é imperdível e um passeio bem interessante. É também considerado o maior museu judaico da Europa. Fica próximo ao Checkpoint Charlie.

- Gendarmenmarkt: considerada por muitos como a praça mais bonita de Berlim, essa praça fica no centro histórico da cidade e é circundada pela Catedral Francesa e Catedral Alemã (uma de cada lado). Ela foi construída para funcionar como um mercado durante o século XVII. Se estiver em Berlim na época de natal, não deixe de passar nesta praça já que ela é bem famosa pelo seu “mercado de natal”.

- Potsdamer Platz: é outra praça famosa (sim, lá há muitas praças belíssimas e muito bem frequentadas). Ao contrário da praça acima, a Potsdamer possui muito edifícios modernos em seu entorno e é um local muito bom para quem quer se divertir e passar um tempo “atoa”. Fica no centro da cidade.

- Topografia do terror: é um memorial localizado exatamente onde ficava a Gestapo (polícia secreta do regime nazista) e registra e expõe os horrores praticados durante a época nazista. Sua exposição é aberta e possui entrada gratuita. Se você se interessa por esse assunto, não perca! É um passeio triste porém enriquecedor.

OBS: como fiquei pouco tempo não consegui visitar todos eles, mas quando estava na Alemanha, busquei um pouco de informações sobre cada um destes locais. Agora, resta voltar para terminar de conhecê-los. Ainda há MUITAS outras opções de passeios e locais a serem visitados que não listei aqui.......

INFORMAÇÕES, CURIOSIDADES E GASTOS:
Cerveja mais barato que água!
- Berlim é a capital federal da Alemanha e também a cidade mais populosa do país.
- A riqueza cultural de Berlim é impressionante: há teatros (cerca de 150), museus (170), diversos monumentos a serem visitados, óperas, restaurantes onde se pode aproveitar a gastronomia local, entre outros passeios riquíssimos.
- É considerado um dos destinos turísticos mais importantes da Europa.
- O descolamento em Berlim é muito fácil. Apesar dos nomes alemães das ruas, não há risco em se perder. Além disso, quase todo mundo lá fala inglês ;)
- Hostel em que me hospedei: Shlafmeile (R$74,85 por 2 noites com a cotação do euro a R$2,90) não é dos melhores que conheci, mas pelo preço é uma boa dica.

Gasto total de 122,50 euros com hostel / 99,50 sem hostel em 2 dias e meio da cidade

CURTINDO A NOITE
De todas as baladas abaixo conheci apenas a primeira, mas fiz uma pesquisa para decidir em qual iria... seguem as informações abaixo:
- Watergate: balada que fica à beira do Spree, o local é MARAVILHOSO, mas a balada em si não é muito boa (pelo menos, eu não gostei), apesar disso ele é conhecida mundialmente. Nem todos podem entrar, a dona da festa fica na porta liberando ou não a entrada meio que de forma arbitrária (por sorte, fomos liberados). É proibido tirar fotos lá dentro e o segurança já avisa isso na porta. Estilo: música eletrônica.
- Berghain: é a balada mais famosa da cidade e já foi eleita a melhor do mundo. A entrada também é controlada como a da Watergate e é interessante que funciona em um centro nuclear abandonado. Estilo: música eletrônica.
- Tresor: outra famosa balada de música eletrônica.
- Asphalt: localizado no centro de Berlim, mais especificamente no subsolo do Hotel Hilton. O local abre de quinta a sábado e é conhecido por sua variedade de músicas, fugindo um pouco do eletrônico tocado em outras baladas.
- What?: essa balada fica no subsolo de um Mc Donalds, também na área central da cidade. Assim como as balada acima, ela é conhecida pela variedade musical.

REFLEXÕES DE UMA MOCHILEIRA (IN)EXPERIENTE:
- Como eu gostaria de passar uma semana, um mês, um ano nesta cidade. Me perder em suas ruas, andar sem preocupação com o tempo observando cada monumento, cada detalhe, explorar os museus, teatros..... Frequentar a noite alternativa da cidade. Se eu pudesse, teria passado mais tempo.... 3 dias foi pouco, 5 dias seria pouco, toda as minhas férias seria pouco. Só sei que um dia eu volto, volto para me inspirar e conhecer mais detalhes dessa cidade maravilhosa (roubando o título do Rio de Janeiro.. hehehe).

- Conheci Berlim dois anos após ter conhecido Munique (também na Alemanha) e me surpreendi com as diferenças. Apesar de ter amado Munique, Berlim me impressionou de uma forma totalmente positiva. Duas cidades no mesmo país que são completamente opostas uma da outra. Na minha imaginação (e no meu “pré-conceito”) pensei que o que fosse encontrar seria parecido com Munique; fui esperando uma coisa e me deparei com algo totalmente diferente. O que vi foi uma cidade moderna e ao mesmo tempo alternativa, onde o respeito e a valorização cultural imperam, o diferente tem valor, o passado está presente e é respeitado e em alguns casos silenciado. Sei que saí de lá com um quê de tristeza por não ter aproveitado tudo que a cidade oferece, mas com a certeza que voltarei. Berlim está no meu coração e marcou minha alma para sempre, inesquecível!